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Economia de Mato Grosso do Sul: agronegócio, celulose e o peso do estado no PIB

Economia de Mato Grosso do Sul: agronegócio, celulose e o peso do estado no PIB

Economia de Mato Grosso do Sul: guia completo do agronegócio à celulose

A economia de Mato Grosso do Sul deixou de ser coadjuvante no cenário nacional. Com um PIB que ultrapassou a marca dos R$ 150 bilhões, o estado se consolidou como potência em commodities, mas vive agora uma transformação profunda com a chegada de megainvestimentos no setor de celulose. Este guia detalha, com base em dados do IBGE, Fiems e Governo do Estado, os pilares que sustentam a economia sul-mato-grossense e as projeções para os próximos anos.

Diversificação é a palavra-chave para entender o momento atual. Se o agronegócio em Mato Grosso do Sul ainda responde por cerca de um terço de toda a riqueza gerada, a indústria de celulose surge como o novo motor de crescimento, atraindo bilhões em investimentos e reposicionando o estado na rota dos grandes exportadores globais de papel.

1. Agronegócio em Mato Grosso do Sul: o motor tradicional

O agronegócio é a espinha dorsal da economia sul-mato-grossense. A combinação de solo fértil, clima favorável e tecnologia de ponta garante produtividades recordes, especialmente na região sul do estado.

  • Principais culturas: A soja lidera com folga, com safra que ultrapassa 12 milhões de toneladas. Em seguida vem o milho (segunda safra), que impulsiona a produção de proteína animal, e o algodão, que ganha espaço com a colheita de pluma de alta qualidade. A cana-de-açúcar também é pilar, abastecendo as usinas do setor sucroenergético.
  • Pecuária de corte: Mato Grosso do Sul detém um dos maiores rebanhos bovinos do Brasil, com mais de 18 milhões de cabeças. O estado é referência nacional em genética e terminação de animais a pasto.
  • Participação no PIB estadual: Dados recentes da Fiems indicam que o agronegócio em Mato Grosso do Sul (incluindo insumos, produção primária, agroindústria e serviços) representa cerca de 30% do PIB estadual. Esse percentual, embora alto, vem caindo gradualmente justamente pela diversificação industrial que o estado experimenta.
  • Exportações: A pauta é dominada por grãos (soja e milho) e carnes (bovina e frango). A China é o principal destino, seguida pela União Europeia, que importa carne e celulose, e por países do Oriente Médio, que recebem frango e açúcar. O desempenho recente da suinocultura local também chama atenção — MS abate mais porco do que nunca, mas o produtor recebe menos por quilo, reflexo dos desafios de mercado que afetam o setor.
  • Tecnologia e produtividade: O estado é um dos líderes nacionais em Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Esse sistema otimiza o uso da terra, recupera pastagens degradadas e diversifica a renda do produtor, diferencial competitivo importante para a sustentabilidade do agronegócio local.

2. Celulose em Mato Grosso do Sul: o novo ouro verde

Se o boi e a soja construíram a economia do estado, é a celulose que está redesenhando o seu futuro. A combinação de terras planas, baixo custo de produção e clima favorável ao eucalipto transformou a região de Três Lagoas em um dos maiores polos de celulose do planeta.

  • Plantio de eucalipto: A área plantada com eucalipto no estado já ultrapassa 1,5 milhão de hectares, com ciclo de corte que varia de 6 a 7 anos, um dos mais curtos do mundo.
  • Principais empresas: O setor é liderado pela Suzano, que opera a maior fábrica de celulose do mundo em Três Lagoas, e pela Eldorado Brasil, também em Três Lagoas. A novidade é a chegada da Arauco, que constrói uma nova planta em Inocência, com previsão de start-up para 2028.
  • Investimentos bilionários: A expansão da Suzano (Projeto Cerrado) e a construção da planta da Arauco representam juntos mais de R$ 40 bilhões em investimentos. Isso coloca a celulose como o principal vetor de crescimento do PIB industrial do estado na próxima década.
  • Impacto na geração de empregos e renda: Somente a construção da fábrica da Arauco deve gerar picos de 15 mil empregos diretos. Na operação, as plantas de celulose oferecem salários acima da média e exigem mão de obra qualificada, elevando o padrão de renda das cidades onde se instalam.
  • Exportações: A celulose é o principal produto da pauta exportadora do estado. Com a entrada em operação das novas plantas, Mato Grosso do Sul deve se consolidar como o maior exportador de celulose de fibra curta do mundo, superando concorrentes como Chile e Uruguai.

3. Setor sucroenergético: cana-de-açúcar e etanol

O setor sucroenergético é o terceiro pilar da economia de Mato Grosso do Sul, com produção que ultrapassa 50 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra.

  • Produção e área colhida: A área colhida é de aproximadamente 800 mil hectares, concentrada na região leste e sul do estado.
  • Usinas e grupos atuantes: Grandes grupos como BP Bunge Bioenergia, Raízen e São Martinho operam no estado, produzindo açúcar, etanol e bioeletricidade.
  • Bioeletricidade: A geração de energia a partir da biomassa da cana é um diferencial. As usinas do estado são autossuficientes e exportam o excedente para o Sistema Interligado Nacional, contribuindo para a segurança energética do país.
  • Etanol: Com a chegada da nova planta de etanol de milho em Maracaju, o estado se posiciona para se tornar grande produtor de etanol de milho, complementando a produção de etanol de cana. Isso aumenta a oferta de combustível renovável no mercado interno e abre portas para exportação.
  • Desafios: O setor enfrenta desafios como a oscilação de preços no mercado internacional de açúcar, a necessidade de renovação dos canaviais e a concorrência com estados como São Paulo e Goiás, que possuem infraestrutura logística mais consolidada.

4. Indústria e serviços: diversificação da economia

A economia de Mato Grosso do Sul não vive só do campo e da floresta plantada. O setor industrial e o de serviços vêm ganhando relevância, impulsionados pela renda gerada pelo agronegócio.

  • Indústria de alimentos e frigoríficos: O estado abriga plantas frigoríficas de gigantes como JBS e BRF, que processam a carne bovina e de frango para o mercado interno e externo. A indústria de laticínios e de rações também é forte.
  • Complexo industrial de Três Lagoas: Além da celulose, a cidade abriga a fábrica de latas de alumínio da Ball Corporation e o maior complexo de papel e embalagens da América Latina, formando um polo diversificado.
  • Comércio e serviços: O setor de serviços responde por mais de 50% do PIB de Mato Grosso do Sul. Campo Grande, como capital, concentra hospitais, universidades, shoppings e um polo de tecnologia da informação em expansão.
  • Turismo de natureza e negócios: O Pantanal e Bonito são os carros-chefes do turismo, atraindo visitantes do mundo todo. O turismo de negócios também cresce, ligado a eventos do agronegócio e convenções corporativas.
  • Polos tecnológicos: Cidades como Campo Grande e Dourados vêm incentivando a criação de startups voltadas ao agronegócio (Agritechs) e à gestão pública, criando um ecossistema de inovação ainda incipiente, mas promissor.

5. Infraestrutura e logística: gargalos e avanços

O escoamento da produção é o principal gargalo para o crescimento da economia de Mato Grosso do Sul. O estado é geograficamente distante dos grandes portos, o que encarece o frete.

  • Malha rodoviária: As principais rodovias (BR-163, BR-262, BR-267) são vitais, mas estão em constante manutenção. A concessão da BR-163 para a CCR MSVia melhorou o trecho até a divisa com o Paraná, mas o tráfego intenso de carretas ainda causa congestionamentos e acidentes.
  • Ferrovias: A Malha Norte (Rumo) é a espinha dorsal do escoamento de grãos, ligando o estado ao Porto de Santos. O projeto da Ferroeste (ligando Maracaju a Paranaguá) e o plano de extensão da malha até Três Lagoas são as grandes apostas para reduzir o custo logístico.
  • Hidrovias: A Hidrovia Paraguai-Paraná é alternativa para o escoamento de minério e celulose, mas depende de investimentos em dragagem e sinalização para se tornar plenamente competitiva.
  • Portos secos e terminais alfandegados: O estado conta com portos secos em Campo Grande e Corumbá, que agilizam o desembaraço de mercadorias, e com terminais de transbordo em Três Lagoas e Brasilândia, que movimentam a celulose.
  • Investimentos em energia e telecomunicações: A chegada de novas indústrias pressiona a oferta de energia elétrica. A expansão da transmissão e a construção de novas subestações são prioridades do governo estadual para garantir o abastecimento e atrair novos investimentos.

6. Comparativo com outros estados: o peso de MS no PIB nacional

Para dimensionar a importância da economia de Mato Grosso do Sul, é preciso compará-la com seus vizinhos.

  • Posição no ranking: Mato Grosso do Sul ocupa a 12ª posição no ranking do PIB brasileiro, segundo dados do IBGE (2022). Embora não esteja entre os maiores, o estado tem um dos maiores crescimentos relativos do país, puxado pela agropecuária e indústria.
  • PIB per capita: O PIB per capita de Mato Grosso do Sul (cerca de R$ 55 mil) é superior à média nacional, indicador de que a riqueza gerada é bem distribuída em relação à sua população de aproximadamente 2,8 milhões de habitantes.
  • Comparação com vizinhos: Mato Grosso do Sul é menor que Mato Grosso e Goiás em tamanho econômico, mas se destaca pela forte industrialização baseada em recursos naturais, enquanto MT concentra-se mais na produção primária de grãos e GO na agroindústria e comércio.
  • Participação no agronegócio nacional: O estado responde por cerca de 5% da produção nacional de grãos e é o 4º maior produtor de celulose do mundo, o que lhe confere peso desproporcionalmente alto em setores específicos.
  • Perspectivas: Com os investimentos da Arauco e da Suzano, a projeção é que Mato Grosso do Sul suba posições no ranking nacional de PIB industrial e se aproxime de estados como o Paraná em termos de valor agregado na indústria de base florestal.

7. Perspectivas e desafios para a economia de MS

O futuro da economia de Mato Grosso do Sul é promissor, mas não está livre de desafios complexos.

  • Novos investimentos em celulose: A construção da planta da Arauco em Inocência é o maior projeto industrial em andamento no Centro-Oeste. A expansão da Suzano e a possibilidade de novas plantas no bolsão sul do estado (região de Ribas do Rio Pardo) devem manter o setor aquecido por pelo menos uma década.
  • Diversificação da matriz econômica: O estado precisa reduzir a dependência de commodities. O investimento em indústrias de transformação (como a de alimentos processados e cosméticos com base no Pantanal) e no turismo de alta renda é essencial.
  • Sustentabilidade e pressões ambientais: O desmatamento ilegal e as queimadas no Pantanal são riscos reputacionais para a produção do estado. A adoção de práticas de agricultura de baixo carbono e a rastreabilidade da carne são caminhos sem volta para manter o acesso aos mercados internacionais.
  • Mercado de trabalho: A falta de mão de obra qualificada é um gargalo real. O estado precisa investir em educação técnica e profissionalizante para suprir a demanda de setores como celulose, metalurgia e tecnologia da informação.
  • Políticas públicas e incentivos fiscais: O governo estadual tem usado incentivos fiscais para atrair indústrias, mas precisa equilibrar isso com a necessidade de aumentar a arrecadação para investir em infraestrutura, saúde e educação. Na esfera federal, decisões como a promessa de zerar a fila do INSS até setembro podem ter efeitos diretos na economia local, especialmente para quem depende de benefícios previdenciários. Na área jurídica, a ampliação da estrutura federal também chega ao estado — Mato Grosso do Sul terá 6 novas varas da Justiça Federal no interior, o que deve agilizar disputas empresariais e trabalhistas.

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Perguntas frequentes

Qual é o principal setor da economia de Mato Grosso do Sul?

O principal setor é o agronegócio, que engloba a produção de soja, milho, algodão, cana-de-açúcar e a pecuária de corte. No entanto, a indústria de celulose vem crescendo rapidamente e já é o principal produto da pauta exportadora do estado.

Quanto o agronegócio representa no PIB de Mato Grosso do Sul?

O agronegócio em Mato Grosso do Sul (incluindo a cadeia produtiva completa) representa cerca de 30% do PIB de Mato Grosso do Sul, segundo dados recentes da Fiems.

Quais empresas de celulose atuam em Mato Grosso do Sul?

As principais empresas são a Suzano e a Eldorado Brasil, ambas com plantas em Três Lagoas. A chilena Arauco está construindo uma nova fábrica em Inocência, com previsão de início de operação em 2028.

Como a economia de MS se compara à de outros estados?

Mato Grosso do Sul possui o 12º maior PIB do Brasil, mas um PIB per capita acima da média nacional. Comparado a Mato Grosso e Goiás, tem uma indústria mais diversificada, com forte presença nos setores de celulose e alimentos.

Quais são os principais desafios para a economia de Mato Grosso do Sul?

Os principais desafios são a melhoria da infraestrutura logística (ferrovias e hidrovias), a qualificação da mão de obra local, a necessidade de diversificação econômica para reduzir a dependência de commodities e a gestão sustentável dos recursos naturais frente às pressões ambientais internacionais.

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