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Saúde e falta de médicos lideram lista de problemas de MS em pesquisa com 2 mil moradores

Saúde e falta de médicos lideram lista de problemas de MS em pesquisa com 2 mil moradores

Para 35% dos entrevistados, o maior problema de Mato Grosso do Sul é a saúde pública e a falta de médicos. O dado vem da 5ª pesquisa do Instituto Ranking Brasil Inteligência sobre os maiores problemas do estado, realizada entre os dias 7 e 12 de agosto com 2.000 moradores de 16 anos ou mais em 30 municípios sul-mato-grossenses.

O levantamento foi registrado sob os números MS-09590/2026 e BR-03493/2026, com intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. A metodologia foi quantitativa, combinando entrevistas presenciais e abordagens pelo sistema CAT, com questionário estruturado aplicado a uma amostra representativa do eleitorado estadual.

A lista completa

Os percentuais somam mais de 100% porque a pergunta admitia mais de uma resposta por entrevistado. Isso muda a leitura: o número ao lado de cada item indica a parcela da população que citou aquele problema, não a fatia que o elegeu como único.

Os itens mais citados foram:

Problema Citações
Saúde pública e falta de médicos 35%
Falta de remédios e de exames 30,4%
Corrupção na central de vagas da saúde 27%
Rodovias e o valor do pedágio na BR-163 20,6%
Falta de cuidado com as estradas vicinais 17%
Cobrança de impostos 15,4%
Narcotráfico e contrabando 14%
Falta de atenção com as fronteiras 13,2%
Cumprir as promessas de campanha 12,4%

Na sequência aparecem melhorar a segurança pública (10,6%), infraestrutura e obras não terminadas (9,2%), falta de dinheiro e carestia (8,8%), altos valores de combustíveis, energia elétrica e água (8%), falta de moradias populares (7,8%), a prefeita de Campo Grande ainda não ter sido cassada (7,4%), buracos nas ruas da Capital (7%), falta de administração pública em Campo Grande (6,4%) e queda constante de energia elétrica (6,2%).

Mais atrás foram citados o MPE prender e a Justiça soltar (5,8%), falta de combate aos incêndios florestais (5,2%), falta de renovação da classe política (4,8%), licitações públicas fraudulentas (4,4%), falta de fiscalização da compra de votos (4,2%), falta de investimento em cultura e esportes (3,8%) e falta de ajuda aos indígenas (3,6%). Outros problemas somaram 3,2%, e 4,8% não souberam ou não responderam.

Saúde ocupa três dos quatro primeiros lugares

O dado mais relevante do levantamento não é o primeiro colocado isolado, e sim a concentração. Três dos quatro itens mais citados pertencem ao mesmo setor: falta de médicos, falta de remédios e exames, e a percepção de corrupção na central de vagas.

São problemas de naturezas diferentes. O primeiro é de recursos humanos, o segundo é de abastecimento e capacidade instalada, o terceiro é de gestão e confiança. Que apareçam juntos no topo indica que a insatisfação com a saúde em MS não se resolve com uma única alavanca.

O item da central de vagas merece nota específica. Ele mede percepção, não apuração. Uma pesquisa de opinião registra o que a população acredita estar acontecendo, e isso é um dado legítimo e importante, mas de natureza distinta de um relatório de auditoria.

Vale registrar que a falta de especialistas em MS já é objeto de política pública em curso. Em julho, o Ministério da Saúde abriu o terceiro ciclo do edital do Projeto Mais Médicos Especialistas, criado pela Lei 14.621/23, com 1.136 vagas imediatas em 24 cursos de aprimoramento, distribuídas por 309 municípios em 26 unidades da Federação. Mato Grosso do Sul ficou com 47 vagas imediatas nesse ciclo. A iniciativa integra as ações do Agora Tem Especialistas, voltadas justamente à redução do tempo de espera por atendimento especializado.

O número dá a medida do desafio. Quarenta e sete vagas de aprimoramento representam um reforço real, mas modesto diante de um estado onde 35% dos entrevistados apontam a falta de médicos como o problema principal.

Estradas e fronteira completam o quadro

Fora da saúde, o bloco mais forte é o de mobilidade. Rodovias e o pedágio da BR-163 somam 20,6% das citações, e as estradas vicinais aparecem logo atrás, com 17%. Juntos, os dois itens desenham a queixa clássica de um estado cuja economia depende de escoar produção por longas distâncias.

A fronteira aparece em duas frentes: narcotráfico e contrabando (14%) e falta de atenção com as fronteiras (13,2%). São temas que, em Mato Grosso do Sul, têm endereço concreto em cidades como Ponta Porã e Corumbá, e que costumam pesar mais na percepção de quem vive perto da linha divisória.

Já a segurança pública em sentido amplo aparece em 10,6%, abaixo do bloco de saúde e do bloco de estradas. Em um estado de fronteira, é um resultado que contraria a expectativa intuitiva.

O contexto do calendário

A pesquisa foi a campo em plena semana de definição eleitoral, com o registro de candidaturas se encerrando no sábado seguinte à conclusão das entrevistas. O item "cumprir as promessas de campanha", com 12,4%, ganha outra leitura nesse contexto: aparece não como pauta de política pública, e sim como cobrança de método.

O levantamento foi assinado pelo Instituto Ranking Brasil Inteligência em parceria com a Rede de Rádios TOP FM, que opera emissoras em Campo Grande, Camapuã, Glória de Dourados e Caracol.

Como ler um número desses

Duas ressalvas ajudam a usar a pesquisa sem distorcer o que ela mostra.

A primeira é sobre a pergunta. Levantamentos de "maiores problemas" medem o que está mais visível na conversa pública, e não necessariamente o que é mais grave em termos objetivos. Assunto que sai no jornal sobe na lista.

A segunda é sobre a margem de erro. Com 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, diferenças pequenas entre itens vizinhos não configuram distância real. A comparação segura é entre blocos, não entre décimos.

Com essas duas ressalvas na mão, a conclusão continua de pé: em agosto de 2026, o sul-mato-grossense entrevistado nomeia a saúde como o problema número um do estado, e o faz por mais de um caminho ao mesmo tempo.

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