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Operação Gemini: PF apura venda de decisões e lavagem de dinheiro no TJ-MT

Operação Gemini: PF apura venda de decisões e lavagem de dinheiro no TJ-MT

Operação Gemini: PF investiga venda de sentenças e lavagem de dinheiro no TJ-MT

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (8) a Operação Gemini. O alvo é um suposto esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. A investigação mira o desembargador afastado Dirceu dos Santos e o deputado estadual Faissal Calil (PL), apontado como ex-assessor do magistrado. O caso ganhou contornos ainda mais graves com a constatação de que o advogado Roberto Zampieri, assassinado em 2023, atuava como intermediário no esquema criminoso.

As investigações da Polícia Federal revelaram que o desembargador movimentou R$ 14,6 milhões em bens nos últimos cinco anos — valor incompatível com seus rendimentos oficiais. A operação cumpre mandados de busca e apreensão, além de quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático contra seis investigados. Quem acompanha de perto os desdobramentos do crime organizado encontra paralelos em outros estados: policiais promoviam PCC desde 2018 em São Paulo, diz MP.

O que é a Operação Gemini?

A Operação Gemini foi deflagrada em 8 de abril de 2025, em Mato Grosso. O objetivo é desarticular um esquema de venda de sentenças e lavagem de dinheiro no âmbito do Tribunal de Justiça do estado. A ação é um desdobramento de investigações anteriores da Corregedoria Nacional de Justiça e da própria Polícia Federal — que já haviam resultado no afastamento do desembargador Dirceu dos Santos em março deste ano.

Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão domiciliar e busca pessoal em endereços ligados aos investigados. A operação também determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos alvos, permitindo o rastreamento detalhado das movimentações financeiras suspeitas.

Quem são os investigados?

Desembargador Dirceu dos Santos

O desembargador Dirceu dos Santos foi afastado do cargo em março de 2025, após fortes indícios de envolvimento na venda de decisões judiciais. A investigação aponta que ele utilizava sua posição para favorecer partes em troca de vantagens financeiras.

A análise patrimonial do magistrado revelou números impressionantes:

  • Movimentação total em bens nos últimos 5 anos: R$ 14.618.546,99
  • Incremento de bens livre de dívidas: R$ 10,21 milhões
  • Sobra financeira no período: R$ 9,6 milhões
  • Variação patrimonial a descoberto em 2023: R$ 1,91 milhão

A PF destaca que Dirceu "apresentou variação patrimonial em patamar incompatível com seus rendimentos licitamente auferidos". Além disso, o magistrado adquiriu ou negociou 92 imóveis, com 51 transações imobiliárias entre 1986 e 2025 totalizando R$ 7,17 milhões. A investigação ressalta que esse valor "o que muito possivelmente, não reflete o valor atual do patrimônio, considerada a prática corriqueira de estimar a menor os valores dos imóveis para fins registrais".

Deputado estadual Faissal Calil

O deputado estadual Faissal Calil (PL) é apontado pela investigação como ex-assessor técnico de projetos e acórdãos no gabinete de Dirceu dos Santos. Ele é suspeito de intermediar negócios ilícitos e facilitar o esquema de venda de decisões. Calil nega qualquer envolvimento e se coloca à disposição das autoridades para esclarecimentos.

Advogado Roberto Zampieri

O advogado Roberto Zampieri, assassinado em 5 de dezembro de 2023, é apontado como o principal intermediário do esquema. Ele atuava em casos sensíveis no TJ-MT e sua morte gerou suspeitas de ligação com as atividades criminosas investigadas. Em situações similares, o Judiciário já viu mãe de mulher trans assassinada se habilitar como assistente de acusação em MS.

Esquema de venda de decisões judiciais

O esquema investigado pela Operação Gemini envolvia a suposta venda de sentenças favoráveis em troca de vantagens financeiras. De acordo com as investigações, o desembargador Dirceu dos Santos utilizava sua influência para garantir decisões favoráveis a empresários e advogados, que pagavam por esses benefícios.

A atuação do deputado Faissal Calil como assessor técnico de projetos e acórdãos no gabinete de Dirceu levantou suspeitas de que ele atuava como ponte entre o magistrado e os interessados nas decisões. O advogado Roberto Zampieri, por sua vez, era o responsável por realizar as negociações e receber os pagamentos.

Lavagem de dinheiro e movimentações financeiras

A análise patrimonial do desembargador Dirceu dos Santos revelou um padrão de enriquecimento incompatível com seus rendimentos oficiais. A PF constatou que o magistrado "sem a comprovação de receitas lícitas que pudessem fazer frente ao patrimônio identificado".

Os principais pontos da investigação financeira incluem:

  • Movimentação de R$ 14,6 milhões em bens nos últimos cinco anos
  • Incremento de bens livre de dívidas de R$ 10,21 milhões
  • Aquisição e negociação de 92 imóveis
  • 51 transações imobiliárias entre 1986 e 2025, totalizando R$ 7,17 milhões

A PF suspeita que o dinheiro proveniente da venda de decisões judiciais era lavado por meio da compra de imóveis, com valores subestimados nos registros para dificultar o rastreamento.

Ligação com o assassinato de Roberto Zampieri

O assassinato do advogado Roberto Zampieri, ocorrido em 5 de dezembro de 2023, é um dos pontos centrais da investigação. Zampieri era apontado como o principal intermediário do esquema de venda de decisões judiciais no TJ-MT.

A morte do advogado levantou suspeitas de que ele foi silenciado para evitar que revelasse detalhes do esquema criminoso. A PF investiga a possibilidade de que o assassinato tenha relação direta com as atividades ilícitas que ele intermediada.

Zampieri atuava em casos sensíveis no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Sua morte, ocorrida há pouco mais de um ano, agora ganha novo contexto com a deflagração da Operação Gemini.

Repercussão política e jurídica

O afastamento do desembargador Dirceu dos Santos, determinado em março de 2025, já havia causado grande repercussão no meio jurídico de Mato Grosso. A deflagração da Operação Gemini aprofunda a crise no Tribunal de Justiça do estado.

O deputado estadual Faissal Calil, que nega envolvimento no esquema, se coloca à disposição das autoridades para esclarecimentos. A situação política do parlamentar, no entanto, fica comprometida com as suspeitas de participação no esquema de venda de decisões.

A Corregedoria Nacional de Justiça acompanha de perto o caso, que já resultou em buscas no próprio TJ-MT. Órgãos de controle jurídico e político monitoram os desdobramentos da investigação.

Próximos passos da investigação

A Operação Gemini está em sua fase inicial, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão e quebra de sigilos. Os próximos passos incluem:

  • Análise detalhada dos materiais apreendidos nas buscas
  • Possíveis novas fases da operação

A PF também deve aprofundar a investigação sobre o assassinato de Roberto Zampieri, buscando conexões entre sua morte e o esquema de venda de decisões judiciais.

Enquanto o sistema judiciário lida com esses escândalos, outras medidas de impacto social seguem em pauta, como Lula anuncia linha de crédito de R$ 2,5 bilhões para entregadores: benefícios para MS e juros menores para mulheres.

Leia também

Perguntas frequentes

O que é a Operação Gemini?

A Operação Gemini é uma investigação da Polícia Federal deflagrada em 8 de abril de 2025 para apurar venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. A operação tem como principais alvos o desembargador afastado Dirceu dos Santos e o deputado estadual Faissal Calil.

Quem é Dirceu dos Santos?

Dirceu dos Santos é desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, afastado do cargo em março de 2025 por suspeita de venda de sentenças. A investigação aponta que ele movimentou R$ 14,6 milhões em bens nos últimos cinco anos, valor incompatível com seus rendimentos oficiais.

Qual a relação entre a Operação Gemini e o assassinato de Roberto Zampieri?

O advogado Roberto Zampieri, assassinado em 5 de dezembro de 2023, é apontado como o principal intermediário do esquema de venda de decisões judiciais investigado pela Operação Gemini. Sua morte é investigada como possível consequência de sua atuação no esquema criminoso.

O deputado Faissal Calil foi preso?

Não. Até o momento, o deputado estadual Faissal Calil não foi preso. A operação cumpre mandados de busca e apreensão e quebra de sigilos contra ele, mas não há mandado de prisão expedido. Calil nega envolvimento e se coloca à disposição das autoridades.

Como funcionava o esquema de venda de decisões?

O esquema envolvia a venda de sentenças favoráveis no TJ-MT em troca de vantagens financeiras. O desembargador Dirceu dos Santos utilizava sua influência para garantir decisões favoráveis a empresários e advogados. O deputado Faissal Calil atuava como assessor técnico no gabinete do magistrado, e o advogado Roberto Zampieri era o intermediário das negociações. O dinheiro era lavado por meio da compra de imóveis.

Perguntas frequentes

O que é a Operação Gemini?
É uma operação da Polícia Federal que investiga venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), com buscas contra o desembargador Dirceu dos Santos e o deputado estadual Faissal Calil.
Quem é Dirceu dos Santos?
Dirceu dos Santos é desembargador do TJ-MT, afastado do cargo pelo STJ sob suspeita de envolvimento em esquema de venda de sentenças e lavagem de dinheiro.
Qual a relação entre a Operação Gemini e o assassinato de Roberto Zampieri?
A investigação aponta que o advogado Roberto Zampieri, assassinado em 2023, atuava em casos ligados ao esquema de venda de decisões, e sua morte pode estar relacionada às atividades ilícitas.
O deputado Faissal Calil foi preso?
Não. Até o momento, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, mas não há prisões. O deputado nega as acusações e se colocou à disposição das autoridades.
Como funcionava o esquema de venda de decisões?
Segundo a PF, o desembargador Dirceu dos Santos vendia sentenças favoráveis em processos, recebendo vantagens financeiras que eram lavadas por meio de empresas de fachada e contas no exterior.

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