O nível do Rio Paraguai continua caindo e deve recuar ainda mais até novembro, segundo projeções do Serviço Geológico do Brasil (SGB). O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) prevê vazões abaixo da média em novembro em grande parte do Centro-Oeste, incluindo a bacia do Rio Paraguai. Em Ladário, no município de Corumbá, a estação marcava 1,27 metro em 14 de outubro. São 81 centímetros abaixo da mediana histórica de 2,08 metros para a data, embora o patamar ainda esteja dentro da faixa considerada normal para esta época do ano.
A tendência, porém, é de piora. O SGB projeta 1,02 metro em 28 de outubro e 91 centímetros em 11 de novembro em Ladário. Em Porto Murtinho, o nível observado era de 2,83 metros, com previsão de queda para 2,57 metros na mesma data. O cenário acende alerta para a hidrovia do Pantanal e para o escoamento de minérios entre Mato Grosso do Sul e países da Bacia do Prata.
Alerta hidrológico: nível do Rio Paraguai deve cair para 91 cm em Ladário e 2,57 m em Porto Murtinho
Os números do SGB mostram uma descida consistente nas duas principais estações de referência da bacia no estado. Em Ladário, a projeção de 91 centímetros para 11 de novembro representa menos da metade da mediana histórica para a data. Já em Porto Murtinho, a redução prevista é de 26 centímetros em relação ao nível observado no dia 14 de outubro.
O Cemaden prevê vazões abaixo da média em novembro em grande parte do Centro-Oeste, incluindo a bacia do Rio Paraguai. O boletim de setembro, divulgado em outubro, classificou como seca hidrológica extrema as áreas da bacia que contribuem para as estações de Ladário e Porto Murtinho, a mesma condição registrada em agosto. Entre fevereiro de 2024 e julho de 2025, essas áreas permaneceram sob seca excepcional, a classificação mais grave usada no monitoramento.
A situação é acompanhada de perto por causa da importância da hidrovia para o transporte de cargas, especialmente minérios, entre Mato Grosso do Sul e países da Bacia do Prata. Em 2024, a estiagem afetou as operações de navegação, episódio citado pelo Cemaden como referência para avaliar o cenário atual.
Contraste entre chuva acima da média e seca prolongada: entenda o paradoxo
O dado que mais chama atenção no relatório do SGB é o volume de chuva acumulado na bacia do Rio Paraguai entre março e setembro de 2026: 23% acima da média histórica do período, calculada com base nos registros de 1998 a 2025. Apesar disso, o rio segue abaixo da mediana e a seca hidrológica permanece classificada como extrema.
A explicação está no acúmulo de déficit hídrico ao longo dos últimos sete anos, apontado pelo Cemaden. Quando o solo e os aquíferos passam anos seguidos sem reposição plena, parte da chuva que chega é absorvida antes de atingir o escoamento superficial que alimenta os rios. O resultado é um paradoxo aparente: chove acima da média, mas o nível do Rio Paraguai não se recupera na mesma proporção.
Esse efeito é mais visível nas áreas de contribuição das estações de Ladário e Porto Murtinho, que acumulam anos de estiagem. O cenário de 2026 repete, em parte, o que já havia sido observado em anos anteriores, quando a chuva isolada não foi suficiente para reverter o quadro de seca. A leitura do clima e do comportamento das águas ajuda a entender o inconsciente de quem vive da região e sente o efeito ano após ano.
Impactos na hidrovia do Pantanal: navegação e escoamento de minérios sob risco
A queda do nível do Rio Paraguai tem efeito direto sobre a navegação na hidrovia do Pantanal. Com lâmina d'água menor, o calado das embarcações fica restrito, o que pode exigir ajustes nas operações.
O escoamento de minérios é um dos segmentos sensíveis. A hidrovia é importante rota de saída da produção de Mato Grosso do Sul em direção a países da Bacia do Prata, e restrições de calado podem se traduzir em custo logístico adicional.
Porto Murtinho e Ladário são pontos críticos nesse arranjo. A primeira estação concentra parte do fluxo de cargas em direção ao sul, enquanto a segunda serve de referência para o monitoramento de toda a região do Pantanal. A projeção de 2,57 metros em Porto Murtinho para 11 de novembro ainda permite navegação, mas exige acompanhamento diário.
Abastecimento e atividades econômicas: o que a queda do nível significa para MS
Além da logística, a redução do nível do Rio Paraguai pode afetar o abastecimento de água em municípios ribeirinhos que dependem de captação superficial. Em localidades com pouca infraestrutura alternativa, a queda pode exigir ajustes operacionais.
A pesca, o turismo e a agricultura de várzea também podem sentir o efeito. A menor disponibilidade de água altera rotas de peixes, reduz áreas de navegação recreativa e compromete cultivos que dependem da umidade do solo nas margens. O setor turístico do Pantanal, um dos principais ativos econômicos do estado, acompanha o cenário com atenção. Quem trabalha com a gastronomia local, que depende do pescado e de ingredientes da região, também sente o impacto: vale conhecer a comida sul-mato-grossense e seus pratos típicos.
A adaptação passa pelo monitoramento contínuo e pela coordenação entre gestores públicos, operadores da hidrovia e comunidades ribeirinhas. A experiência de 2024, quando a estiagem afetou as operações de navegação, serve de referência para calibrar respostas neste fim de ano.
Previsão de vazão para novembro e monitoramento: o que esperar
A tendência apontada pelos modelos do SGB é de queda persistente até novembro, com vazões abaixo da média em grande parte da bacia do Rio Paraguai. O Cemaden mantém o alerta de seca hidrológica em Mato Grosso do Sul, com possibilidade de intensificação em algumas áreas.
Para outubro, o Cemaden apontou possibilidade de intensificação da seca hidrológica na área de contribuição da usina hidrelétrica de Jauru, em Mato Grosso. Em setembro, as bacias dos rios Manso e Jauru apresentaram condições entre normalidade e seca moderada, o que mostra que o quadro não é uniforme em toda a região.
Gestores públicos e operadores devem acompanhar os boletins do SGB e do Cemaden, que trazem atualizações periódicas sobre nível e vazão. A população ribeirinha, por sua vez, precisa ficar atenta a eventuais restrições de captação e a orientações das defesas civis municipais.
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Perguntas frequentes
Qual é o nível atual do Rio Paraguai em Ladário? Em 14 de outubro, a estação marcava 1,27 metro, 81 centímetros abaixo da mediana histórica de 2,08 metros para a data, mas ainda dentro da faixa normal para a época.
Qual a previsão para novembro? O SGB projeta 91 centímetros em Ladário e 2,57 metros em Porto Murtinho em 11 de novembro.
Por que choveu acima da média e o rio continua baixo? Porque a bacia acumula sete anos de déficit hídrico. Parte da chuva é absorvida pelo solo e pelos aquíferos antes de chegar ao escoamento superficial que alimenta os rios.
A seca hidrológica ainda é extrema? Sim. O Cemaden classificou como seca hidrológica extrema as áreas que contribuem para as estações de Ladário e Porto Murtinho no boletim de setembro, a mesma condição de agosto.
Quais os impactos para a hidrovia do Pantanal? A queda do nível restringe o calado das embarcações, o que pode reduzir carga, encarecer o frete e atrasar o escoamento de minérios entre Mato Grosso do Sul e países da Bacia do Prata.
O abastecimento de água em MS está ameaçado? Municípios ribeirinhos que dependem de captação superficial podem precisar de ajustes operacionais. Não há, nos dados oficiais, indicação de desabastecimento generalizado, mas o monitoramento segue necessário.