Uma mulher de 37 anos foi presa em Joinville (SC) depois de enganar uma família durante 14 meses. Ela se passava por uma adolescente de 12 anos. O caso chocou a cidade e revela um golpe complexo, que mistura falsa identidade, manipulação emocional e o uso de um transtorno como disfarce. A suspeita, que se identificava como “Gabriele”, foi acolhida por uma igreja local e adotada de forma informal. A farsa só caiu quando uma tia adotiva desconfiou da história. A polícia agora investiga o histórico de crimes dela em outros cinco estados. A história lembra outros casos de falsa identidade na internet, como o de uma tia que desmascarou mulher de 37 anos que fingia ser criança em Joinville.
O caso: uma mulher de 37 anos se passou por adolescente de 12
Em Joinville (SC), uma mulher de 37 anos foi adotada informalmente por uma família após se apresentar como uma adolescente de 12 anos. Ela usava roupas infantis, falava com voz de criança e dizia ter autismo para justificar o comportamento. A farsa durou 14 meses, até que a Polícia Civil descobriu a verdadeira identidade dela.
A mulher foi apresentada à família por um pastor de igreja. Ele acreditou na história de que era uma adolescente vítima de maus-tratos e abandono. Ela alegava ser portadora do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e usava isso para explicar diferenças de comportamento e aparência. Durante o período, ela manteve comportamentos infantilizados, como usar mamadeiras, chupetas e um “cheirinho” para dormir.
A prisão ocorreu em 2 de julho de 2024. A tia adotiva e o pai adotivo pesquisaram na internet e encontraram registros de crimes semelhantes. A mulher confessou os crimes de estelionato e falsa identidade durante o interrogatório.
Como a suspeita enganou a família e a igreja
A mulher foi acolhida por uma igreja local, onde conheceu a família que a adotou informalmente. Ela apresentou documentos falsos e uma história de abandono e maus-tratos. A família acreditou que era uma adolescente em situação de vulnerabilidade e a levou para morar em casa.
- Documentos falsos: A suspeita usava identidades falsas para se passar por menor de idade.
- História de abuso: Ela afirmava ter sido submetida à prostituição durante a infância, inclusive sendo obrigada a tomar hormônios.
- Comportamento infantil: Usava roupas infantis, falava com voz de criança e evitava contato com serviços públicos.
- Chantagens emocionais: Para impedir a adoção formal, ela usava chantagens, dizendo que seria devolvida a um ambiente abusivo.
A suspeita também solicitou transferência de dinheiro à família em nome de terceiro, o que levantou suspeitas. A adoção nunca foi formalizada legalmente, e a mulher evitava qualquer contato com a assistência social ou órgãos oficiais. Casos como esse mostram a importância de políticas de acolhimento seguras, assim como a luta por justiça em situações de vulnerabilidade, como a mãe de mulher trans assassinada que se habilitou como assistente de acusação em MS.
Mecanismos psicológicos do golpe: por que a família acreditou?
A suspeita explorou a boa-fé e o desejo de ajudar da família e da igreja. Ela usou a alegação de autismo para explicar diferenças de comportamento e aparência. A família, movida por compaixão, não questionou a fundo a história apresentada.
- Empatia como isca: A história de abuso e abandono gerou comoção e desejo de ajudar.
- Justificativa para diferenças: O autismo foi usado para explicar a aparência mais velha, a voz infantil e os comportamentos atípicos.
- Isolamento social: A suspeita evitava interações com vizinhos, escolas e serviços públicos, reduzindo o risco de descoberta.
- Manipulação emocional: Ela usava chantagens para impedir a adoção formal, dizendo que seria devolvida a um ambiente violento.
O golpe se aproveita de lacunas na verificação de identidade em adoções informais. A família, sem experiência em acolhimento, confiou na palavra da mulher e na mediação do pastor.
Aspectos jurídicos: estelionato e falsidade ideológica
A mulher foi presa por estelionato e falsa identidade. Ela possui registros de ocorrências em outros cinco estados (SP, RJ, MG, RS e GO). A adoção informal não tem validade legal. Casos de falsidade ideológica em esquemas complexos também aparecem em outras investigações, como na Operação Gemini, que apura venda de decisões e lavagem de dinheiro no TJ-MT.
- Estelionato: Crime de obter vantagem ilícita (moradia, dinheiro) mediante engano.
- Falsidade ideológica: Uso de documentos falsos para se passar por outra pessoa.
- Pena prevista: A ser determinada pela Justiça.
- Responsabilidade da família: A adoção informal é ilegal; a polícia investiga se a família agiu de boa-fé.
O caso levanta debates sobre a necessidade de políticas de acolhimento mais rigorosas.
Histórico de crimes: a suspeita já aplicava golpes em outros estados
A mulher possui registros de ocorrências em outros cinco estados: SP, RJ, MG, RS e GO. Ela mudava de cidade e estado para evitar ser identificada pelas autoridades.
- Registros em 5 estados: SP, RJ, MG, RS e GO.
- Modus operandi: Sempre se passava por adolescente em situação de vulnerabilidade, alegando autismo.
- Mobilidade geográfica: Mudava de cidade após ser descoberta ou quando sentia que a farsa estava perto de ser exposta.
- Vítimas: Famílias religiosas e igrejas que ofereciam acolhimento informal.
A polícia investiga se há outras vítimas em Santa Catarina. A suspeita está presa no Presídio Regional de Joinville, aguardando julgamento.
Como evitar golpes de falsa identidade em adoções informais
Para evitar cair em golpes semelhantes, é fundamental seguir procedimentos oficiais de acolhimento:
- Verifique documentos: Sempre confira RG, CPF e certidão de nascimento junto aos órgãos emissores.
- Desconfie de histórias sem comprovação: Histórias de abandono e abuso sem registros oficiais devem ser investigadas.
- Busque instituições oficiais: Conselho Tutelar, Vara da Infância e assistência social são os canais corretos.
- Evite adoções informais: A adoção sem processo legal é crime e coloca todos em risco.
- Observe comportamentos suspeitos: Pessoas que evitam contato com serviços públicos ou pedem dinheiro em nome de terceiros merecem atenção.
Enquanto isso, em Mato Grosso do Sul, a promessa de Lula de zerar a fila do INSS até setembro também gera expectativas e debates sobre como isso vai impactar a região.
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Perguntas frequentes
Como a mulher conseguiu se passar por adolescente por 14 meses? Ela usava roupas infantis, falava com voz de criança, alegava autismo para justificar a aparência mais velha e evitava contato com serviços públicos. A família, movida por compaixão, não questionou a fundo a história.
O que é adoção informal e por que é perigosa? É quando uma família acolhe uma criança ou adolescente sem seguir o processo legal. É perigosa porque não há verificação de identidade, documentação ou acompanhamento oficial, abrindo espaço para golpes e abusos.
A mulher já tinha cometido crimes semelhantes antes? Sim. Ela possui registros de ocorrências em outros cinco estados: SP, RJ, MG, RS e GO.
Qual a pena para estelionato e falsidade ideológica nesse caso? A pena será determinada pela Justiça, conforme a gravidade dos crimes.
A família que a adotou pode ser punida? A adoção informal é ilegal, mas a punição depende da análise da boa-fé. Se ficar comprovado que foram vítimas do golpe, podem ser isentas de culpa.