A Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) divulgou o resultado da licitação para pavimentar 20 km da MS-213, no trecho que passa por Sonora, município a cerca de 362 km de Campo Grande. O valor final ficou em R$ 73.375.423,50, valor 6% abaixo do estimado inicialmente pelo governo do estado, de R$ 78.071.969,07. A economia aos cofres públicos chega a R$ 4.696.545,57.
O resultado representa um passo concreto para uma rodovia que há anos enfrenta problemas de trafegabilidade no extremo norte de Mato Grosso do Sul. O trecho a ser asfaltado vai dos entroncamentos das rodovias BR-163 e MS-407, uma área sem distritos ou povoados ao longo dos 20 km, mas cercada por grandes plantações de eucalipto, cana-de-açúcar, soja e milho.
Resultado da licitação: deságio de 6% e economia de R$ 4,7 milhões
A licitação foi anunciada em 22 de junho com valor estimado de R$ 78 milhões. Após a disputa, o valor final ficou em R$ 73,3 milhões, um deságio de 6%.
- Valor inicial: R$ 78.071.969,07
- Valor final: R$ 73.375.423,50
- Deságio: 6%
- Economia: R$ 4.696.545,57
- Extensão a pavimentar: 20 km
O processo licitatório segue para as etapas de homologação e assinatura do contrato. O prazo de execução e a emissão da ordem de serviço ainda dependem de trâmites burocráticos, sem data definida até o momento.
Impacto logístico: asfalto deve facilitar escoamento de eucalipto, cana, soja e milho no norte de MS
A MS-213 é uma rota estratégica para a produção da região norte do estado. Ao longo do trecho a ser pavimentado, predominam grandes fazendas de cana-de-açúcar, soja e milho, além de plantações de eucalipto extraídas pela Suzano, que mantém unidades em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo.
A Agesul justifica o investimento com base nesse potencial produtivo. Em nota, a agência afirma que "a rodovia MS-213 representa a integração da região produtiva do município de Sonora sede do município, bem como ao eixo viário central do Estado, fazendo a ligação com a rodovia federal BR-163/MS, importante rota de escoamento de toda a produção com o estado vizinho Mato Grosso/MT".
Com o asfalto, a expectativa é de redução no custo de transporte e no tempo de viagem, especialmente durante a safra. A pavimentação também melhora a trafegabilidade em períodos de chuva, quando a estrada de terra fica intransitável. Produtores rurais, transportadoras e a economia dos municípios cortados pela rodovia tendem a ser beneficiados.
O escoamento da produção ganha previsibilidade e competitividade. Hoje, mesmo com as manutenções periódicas, a Agesul reconhece as dificuldades: "Este crescimento e desenvolvimento regional faz com que seja um desafio cada vez maior para a Gerência de Conservação de Rodovias, manter sua condição de servicibilidade, porque mesmo com as manutenções periódicas realizadas, os problemas e custos de uma rodovia não pavimentada são recorrentes". Em Mato Grosso do Sul, aliás, o tereré acompanha a rotina de quem trabalha no campo, e não faltam ocasiões para a bebida gelada no calor da região (veja a história e o modo de preparo do tereré).
Obra representa 10% da extensão total da MS-213, que tem 200 km e segue sem pavimentação completa
A MS-213 tem cerca de 200 km de extensão e corta a região norte de Mato Grosso do Sul de leste a oeste, ligando a BR-163, cerca de seis quilômetros ao sul da área urbana de Sonora, aos municípios mato-grossenses de Itiquira e Alto Araguaia. Apenas 20 km, entre a BR-163 e a MS-407, receberão asfalto nesta primeira etapa, o equivalente a 10% do total.
O percentual pequeno diante da necessidade total gera cobrança por mais investimentos. Os trechos restantes continuam em condições precárias, dificultando o fluxo de veículos, sobretudo de caminhões que transportam grãos, cana e madeira. Lideranças regionais e produtores rurais pedem celeridade na licitação das próximas fases.
Nos anos de 2023 e 2024, a rodovia recebeu uma força-tarefa composta pela prefeitura de Sonora, pelo Governo do Estado e pela empresa Suzano. A ação melhorou as condições de tráfego com a colocação de pedra britada sobre a pista, uma solução paliativa enquanto o asfalto não chega.
O governo do estado sinaliza que a obra faz parte de um plano maior de recuperação de rodovias. Ainda assim, não há detalhamento público sobre quando os demais 180 km serão licitados ou pavimentados. Enquanto isso, a culinária local segue como marca da região, com pratos típicos que vão do sobá à sopa paraguaia (conheça os pratos sul-mato-grossenses).
Próximas etapas e prazos: o que falta para a obra começar
Após a conclusão da licitação, o processo entra em fase de homologação do resultado e assinatura do contrato com a empresa vencedora. Em seguida, será emitida a ordem de serviço, que autoriza o início efetivo dos trabalhos.
- Homologação do resultado e assinatura do contrato
- Emissão da ordem de serviço
- Definição do cronograma físico-financeiro
- Mobilização de equipamentos e equipes
- Fiscalização pela Agesul durante toda a execução
A fiscalização ficará a cargo da Agesul, que deve acompanhar o andamento da obra. População e produtores cobram transparência nos prazos e o início efetivo das máquinas na pista, já que a rodovia é considerada vital para o escoamento da produção local. A crise financeira da Santa Casa, outro tema que mexe com o estado, segue em disputa judicial e pode servir de termômetro para o ritmo dos investimentos públicos (leia também sobre a decisão do TJMS).
Perguntas frequentes
Qual o valor final da licitação para pavimentar a MS-213 em Sonora? O valor final ficou em R$ 73.375.423,50, após deságio de 6% sobre o valor inicial de R$ 78.071.969,07.
Quantos quilômetros da MS-213 serão pavimentados nesta etapa? Serão pavimentados 20 km, no trecho entre os entroncamentos das rodovias BR-163 e MS-407.
Qual a extensão total da MS-213? A rodovia tem cerca de 200 km de extensão e corta a região norte de Mato Grosso do Sul de leste a oeste.
Qual a economia gerada pelo deságio na licitação? A economia aos cofres públicos foi de R$ 4.696.545,57 em relação ao valor estimado inicialmente.
Quais atividades econômicas serão beneficiadas com a pavimentação? O trecho é rota para o escoamento de eucalipto, cana-de-açúcar, soja e milho, além de beneficiar produtores rurais, transportadoras e a economia dos municípios da região.
Quando a obra começa? Ainda depende de homologação do resultado, assinatura do contrato e emissão da ordem de serviço. Não há data definida para o início dos trabalhos.