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Pressão sobre a arroba deve ir até setembro, mas cenário segue favorável ao Brasil: passo a passo para pecuaristas de MS

Pressão sobre a arroba deve ir até setembro, mas cenário segue favorável ao Brasil: passo a passo para pecuaristas de MS

A pressão sobre a arroba do boi gordo deve continuar até meados de setembro. Quem é pecuarista em Mato Grosso do Sul precisa ficar de olho. A análise é do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). O motivo principal é a redução temporária nas compras da China, maior importadora global de carne bovina.

Mas nem tudo é preocupação. O horizonte para o último trimestre do ano segue promissor. O mercado é sustentado por oferta limitada e demanda global aquecida. O cenário de transição atual não apaga as boas perspectivas para o Brasil.

Com rebanhos encolhendo nos Estados Unidos e em outros grandes produtores, o país se consolida como fornecedor estratégico. Quem souber entender os prazos e as oportunidades consegue navegar por este período e garantir bons resultados no fechamento do ano.

Entenda por que a pressão sobre a arroba persiste até setembro

A pressão sobre a arroba não é um fenômeno isolado. É um movimento sazonal amplificado por fatores externos. Tradicionalmente, o segundo semestre registra aumento na oferta de animais terminados, o que naturalmente empurra as cotações para baixo. Em 2025, a dinâmica ganhou contornos mais complexos.

  • Redução das compras chinesas: A China paga cerca de US$ 6,50/kg pela carne brasileira, mas diminuiu o ritmo de aquisições. Uma nova cota chinesa está prevista apenas para janeiro de 2027. A demanda por animais terminados deve aumentar entre setembro e outubro para atender a esse novo ciclo.
  • Dados do Cepea: O preço da arroba do boi gordo passou de R$ 325 no início de julho para cerca de R$ 340 no fim do mês. É uma leve recuperação, mas ainda distante dos patamares desejados. A pressão deve se estender até meados de setembro, conforme avaliação do pesquisador Thiago Bernardino de Carvalho, do Cepea.
  • Oferta limitada como piso: Apesar da pressão, a disponibilidade de animais prontos para abate é restrita. As escalas médias dos frigoríficos estão em apenas 2 a 3 dias, o que impede quedas mais bruscas. "O mercado está numa transição de incertezas, mas onde eu tenho uma oferta que está dando sustentação ao equilíbrio de mercado nesse momento", explica Carvalho.

A expectativa é que, a partir de outubro, a demanda por reposição e as compras da China voltem a aquecer. "Esse gado tem que ser abatido e comprado em outubro. Então, a gente já começa a ter um movimento lá por setembro, outubro, visando essa nova cota China para 2027", completa o pesquisador.

Analise o mercado pecuário de Mato Grosso do Sul (MS)

Mato Grosso do Sul tem o segundo maior rebanho bovino do Brasil. Por isso, sente de forma direta os efeitos da pressão sobre a arroba. A pecuária é um dos pilares da economia estadual. As oscilações de preço impactam desde o pequeno produtor até as grandes indústrias frigoríficas.

  • Indicadores regionais: O preço médio da arroba em MS acompanhou a tendência nacional, saindo de R$ 325 para R$ 340 entre o início e o fim de julho. As escalas de abate, entre 2 e 3 dias, indicam oferta enxuta. A demanda dos frigoríficos também se ajustou ao ritmo mais lento das exportações.
  • Logística e exportação: O estado é um importante polo exportador, com frigoríficos habilitados para diversos mercados. A retirada do Brasil da lista de exportadores de carne bovina para a União Europeia, a partir de 3 de setembro, é um ponto de atenção. A Europa paga entre US$ 8 e US$ 10/kg, valores muito superiores aos de outros compradores. "Eu tenho um faturamento mais alto com a Europa", reforça o pesquisador, destacando o impacto na rentabilidade, embora não no volume total exportado.
  • Diversificação de mercados: Para compensar a perda europeia, novos mercados estão se abrindo. Egito, Malásia, Filipinas e Indonésia aumentam o interesse pela carne brasileira. Japão e Coreia do Sul negociam abertura. O desafio é que esses destinos pagam menos. Egito e Irã, por exemplo, pagam de US$ 4 a US$ 4,50/kg.

Para o pecuarista sul-mato-grossense, o momento exige planejamento. Acompanhar os indicadores do Cepea e da IAGRO (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal) é essencial para tomar decisões de venda no melhor momento.

Acompanhe as exportações de carne bovina para a China e outros mercados

A China continua sendo o motor do mercado pecuário brasileiro. Mesmo com a redução temporária das compras, o país asiático responde por uma fatia significativa das exportações. Em 2025, as vendas para a China se mantiveram aquecidas, sustentando os preços internacionais.

  • Demanda chinesa: A nova cota para 2027 indica que a demanda de longo prazo segue firme. O movimento de setembro e outubro, voltado para a reposição de estoques, deve reativar as compras e aliviar a pressão sobre a arroba.
  • Diversificação de destinos: Além da China, os Estados Unidos aumentaram as importações de carne brasileira. Aproveitam o menor rebanho doméstico, o menor desde a década de 1960. Canadá e Austrália também reduziram a produção. Isso cria uma janela de oportunidade para o Brasil.
  • Preços diferenciados: Enquanto a China paga cerca de US$ 6,50/kg, o mercado europeu oferecia prêmios de US$ 8 a US$ 10/kg. A suspensão da UE pode afetar a rentabilidade de frigoríficos que dependiam desse canal. O volume pode ser redirecionado para outros mercados, embora com margens menores.

Os dados da SECEX mostram que as exportações brasileiras de carne bovina in natura cresceram no primeiro semestre de 2025, impulsionadas pela demanda global. Para Mato Grosso do Sul, manter-se competitivo em preço e qualidade é a chave para aproveitar esse cenário.

Utilize dados do Cepea para tomar decisões estratégicas

O Cepea/Esalq é uma ferramenta indispensável para o pecuarista que quer se antecipar às tendências. Os indicadores diários de preço da arroba do boi gordo, incluindo as praças de Mato Grosso do Sul, permitem acompanhar em tempo real as oscilações do mercado.

  • Indicador do boi gordo: Acompanhe as médias semanais e mensais para identificar o momento certo de vender. No fim de julho, a arroba estava em R$ 340. Contratos futuros indicam valores acima de R$ 360 no fim de 2025 e R$ 369 em janeiro de 2026. Isso sinaliza uma tendência de alta para o último trimestre.
  • Indicador do bezerro: O preço do bezerro reflete as expectativas de oferta futura. Com a oferta limitada de animais terminados, a reposição tende a se valorizar. Quem trabalha com recria e engorda pode se beneficiar.
  • Boletins do Cepea: O Boletim do Leite e da Carne ajuda a correlacionar custos de produção (como milho e pastagem) com as receitas esperadas. Em MS, a safra recorde de milho e as pastagens de inverno contribuíram para reduzir custos. Ainda assim, a pressão sobre a arroba comprime as margens.

Usar esses dados de forma estratégica permite planejar a terminação dos animais para o pico de preços. Assim, o pecuarista evita vender durante o período de maior pressão.

Prepare-se para o último trimestre: cenário favorável ao Brasil

O último trimestre de 2025 reserva boas notícias para o pecuarista de Mato Grosso do Sul. A pressão sobre a arroba se dissipa a partir de outubro. A tendência é de recuperação sustentada dos preços.

  • Oferta limitada: A disponibilidade de animais prontos para abate deve continuar restrita, com escalas de 2 a 3 dias. Isso dá fôlego ao mercado e impede quedas abruptas.
  • Demanda global forte: A China retomará as compras para a nova cota de 2027. Outros mercados, como Egito e Indonésia, aumentam o interesse. A desvalorização do real frente ao dólar torna a carne brasileira ainda mais competitiva no exterior.
  • Planejamento estratégico: Pecuaristas de MS devem planejar a retenção de matrizes e a terminação de animais para o 4º trimestre. Os contratos futuros indicam arroba acima de R$ 360 no fim de 2025, um patamar que pode garantir boa rentabilidade.

Apesar dos desafios de curto prazo, o cenário global é favorável ao Brasil. A redução de rebanhos nos EUA, Canadá e Austrália, combinada com a demanda crescente por proteína, coloca o país em posição de destaque. Para o pecuarista sul-mato-grossense, a palavra de ordem é paciência e planejamento.

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Perguntas frequentes

Até quando a pressão sobre a arroba deve continuar? A pressão deve persistir de julho até meados de setembro, com recuperação esperada a partir de outubro.

Qual o impacto da suspensão da União Europeia para Mato Grosso do Sul? A suspensão, a partir de 3 de setembro, afeta a rentabilidade, já que a Europa paga de US$ 8 a US$ 10/kg. O volume pode ser redirecionado para outros mercados, mas com margens menores.

A China ainda é o principal comprador da carne brasileira? Sim. A China continua sendo o maior destino, com preço médio de US$ 6,50/kg. Uma nova cota está prevista para janeiro de 2027.

Como os pecuaristas de MS podem se preparar para o último trimestre? Acompanhando os indicadores do Cepea, planejando a terminação de animais para outubro e monitorando a abertura de novos mercados, como Japão e Coreia do Sul.

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